quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A morte do pipoqueiro

Adoro geleia de mocotó. É sim, aquela clarinha, que tem um casca durinha...huummm... Mas é difícil de encontrar. Procuro sempre nos postos de estradas, mas o que tem lá é uma massa horrorosa, com gosto de plástico...No mercado municipal de Belo Horizonte, quase enlouqueci ! Tinha de todo tipo. Não vejo a hora de voltar pra lá e buscar mais...
E você, já tomou uma tubaína? Comeu aquela pizza de padaria? E o pudim de padaria?
Me escreve o Luciano Dorin: “ Com o confinamento das salas de cinema em shoppings, nesses gigantescos complexos importados, foi-se embora o pipoqueiro (que também vendia amendoim torrado quente...). Foi-se embora o vendedor de algodão doce. Foi-se embora um pouco mais da nossa cultura gastronômica (!) popular. Sobretudo foram-se embora os preços baixos da pipoca, o saquinho de 50 centavos. Vieram os modelos super-size made in USA com a potencial obesidade inerente. Afinal, isto aqui é um País de subnutridos!”. “Cultura gastronômica popular”. Que grande achado.
Que tal o sonho de padaria? E aquela raspadinha de gelo com xarope doce? Talvez a garapa com gelinho e limão? Quiçá uma pururuca? Ou bala de goma?
E aquele chá batido com leite em pó lá da Ipiranga com a São João?
Ou um Sanduíche de pernil? Ou o Bauru do Skinão, lá em Bauru, inigualável? E bote aí o que mais você lembrar...
É engraçado como essas pequenas, engordantes e irresistíveis maravilhas vão desaparecendo de nossas vidas. Podemos chamá-las de “cultura gastronômica popular”?
Penso que sim. Concluo que cada um tem sua sofisticação. Mas o principal talvez não esteja no sabor e sim na capacidade que cada um desses petiscos ou quitutes ou pratos, tem de destravar nossa memória. Pizza de padaria só tem aquele gosto, na padaria.
Aquele chá da Ipiranga com a São João, só tem aquele gostinho lá...in loco.
Daí a morte do pipoqueiro.
Pipoca de cinema não tem mais aquele gostinho de coisa feita à mão, imperfeita, trabalhosa, com piruá...
Pipoca de cinema, hoje em dia, tem cheiro de pipoca, cara de pipoca, gosto de pipoca. Mas não é pipoca. É um projeto de marketing.
Exatamente como os filmes: rápidas, bonitas, coloridas, cheias de efeitos. E no fim dão a impressão que faltou alguma coisa.
Talvez o pipoqueiro.

por Luciano Pires

5 comentários:

  1. Ai, amiga Sara, nem sabe o que me veio à memória... Voltei a saborear os momentos de criança, a cheirar aquelas lembranças que estão empacotadas nos nossos arquivos mais queridos! O gelado de refresco que comprava baratinho na senhora ao cimo da escadinha da rua que já nem existe, os rebuçados pequeninos que por meio centavo trazia uma mão cheia... Pão caseiro, mas caseiro a sério e não no hiper-mercado a dizer de fabrico caseiro!! Um tempo em que ninguém saía de casa para comer comida de plástico e toda a gente levava "farnel" para onde quer que fosse... Os tempos mudaram. Certo, estarei velha? Também... Mas estaremos a viver melhor? Não estou muito certa disso. Beijão

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  2. Saudades da pipoca também... Daquela doce, cheia de corante cor-de-rosa-choque!!! Hehehehehehe!!! E do refresco de xarope de groselha. E do de xarope de guaraná também... Ah! E da geléia de mocotó, mas daquela transparente. Eu sei que ainda podemos encontrar nos mercados. Mas, eu gosto é daquela do copinho de vidro. Nunca mais vi.
    Também sou louca para experimentar novamente a baré tutti-frutti. Hummmmmmmmmmm!!! E o sonho de padaria, ai meu Pai Eterno!!! Hehehehehehehehehe!!!
    Ai que texto gostoso, Sara!!!
    E, Gabi, você não está ficando velha, não! Os tempos é que mudaram mesmo... Só não sei responder à sua pergunta final, mas, o importante é que vivemos tudo isto. O chato é que nosso filhos não saberão como é sentir certas coisas. Tempus Fugit... E com sua fuga, a vida também muda.
    Beijos!!!

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  3. Pois eu espero que consiga encontrar a geléia de mocotó (daquela boa que você gosta) :)... Um óptimo fim de semana Sarita. Beijão

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  4. Que bom que vcs gostaram "minhas" meninas Gabi's. Não tem ninguém velha aqui não, velhos são os trapos, somos é cheias de experiências e das boas né...Espero que continuemos nestas conversas gostosas, neste universo verbal todososdias...um fim de semana lindo a vcs...bjs

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