sexta-feira, 30 de março de 2012

E(terna)namorada!


eis que ouço a mais doce palavra
numa melodia esperada
como declaração sussurrada
nosso reencontro já tem hora marcada
eu já nem peço mais nada
apenas me contento em ser sua última amada
eis que minha boca cala
meu coração fala
cada poro exala
a delicia de ser sua eterna namorada
SA

sábado, 17 de março de 2012

reaLISTA

Otimista - olha o lado bom
Pessimista - olha o lado ruim
REALista - olha para a frente
Indeciso - olha para Os lados
Saudosista - olha para trás

Sara Almeida/Dom Rafa

quinta-feira, 15 de março de 2012

Solidão

quando fui capaz de juntar as letras
vi minha alma sufocada numa angústia
letras gritantes, pesada sintonia
seu nome já o sabia
mas encostada assim na pele
tão rente, tão singular, tão minha
tem um som ensurdecedor, o cheiro acre,
e o sabor, bem o sabor é demasiado único
só quem sente para determinar o paladar
Ela que tem sido a companheira noturna
constante(mente), não a quero como amante
de uma crueldade (en)torpe(cente)
nunca me pareceu necessária
agora que divido com Ela todo ar que respiro
tenho que (a)brigar meus pensamentos
num canto qualquer povoado da lembrança
dos tempos em que Ela me era desconhecida
Ela é um tanto atrevida, se mostra no vazio,
faz-se necessária, consome-nos os sentidos
muda-nos os instintos,
mas não é o tipo de sentimento eterno
o prazer que nos proporciona é ludibriado
pode haver quem fique viciado
eu apenas lhe tiro os melhores traços
e aqui os (re)faço
a espera que Ela se desfaça no mais esperado abraço!
SA

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

traçados e pintados

caneta e papel
tinta e pincel
palavras talhadas
faces contornadas
ilusões imaginadas
sensações projetadas
uma vida traçada
duas vidas pintadas
dois caminhos
uma só estrada
a caneta desliza no papel
e a tinta colore com o pincel
pés na terra, corações no céu
ao som de um cordel
gira o carrossel
a cada volta a caneta no papel
a cada melodia nova tinta no pincel
o tempo todo lua de mel
a caneta desenhou o anel
para que ao papel se torne fiel
o pincel deitou cor ao papel
proibindo a distância cruel
SA

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

vital-idade

hoje decidi juntar todas as facetas de mim mesma
e nesta reunião decidir qual a melhor parte de cada uma delas
poderei eu levar comigo daqui para frente
decidi levar todas os detalhes mais leves
todas as causas mais profundas
toda a capacidade de adaptar e renovar
toda a fraqueza diante do medo
que é para conseguir levar também o limite
e tentar machucar menos
vou levar só as lembranças mais importantes
que é para sobrar mais espaço para as novas
não vou levar agenda
os nomes mais importantes estão marcados
em laços coloridos e acessíveis
quem entrar depois terá que se adaptar
e se enlaçar aos que já cá estão
tive o cuidado de separar muitas palavras
que é para conseguir traduzir tudo que ainda será
muitas coisas se perderam nas entrelinhas
mas o que é importante aqui estará
tenho cá um estoque de vida, amor e riso
não há mais o que esperar... SA

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

quase perto

a você...
que existe numa fotografia,
que distante na geografia é tão perto na melodia
que é sonho, é magia, é mais que alegria, uma doce sintonia
você que nunca esteve aqui no calor do meu abraço
que nunca dividiu comigo alguns passos
consegue trazer a mim um compasso
e criar este laço
ora nude ora escarlate
apesar de não estar presente
em mim sua cor não fica ausente
de boa saúde ou doente
aqui fico espera
nesta janela verde amarela
até o dia
que a melodia ultrapasse a geografia
que a magia do sonho
te traga para minha alegria
e num abraço reforçar o laço
e dançarmos no compasso
pincelar os novos passos
não mais nude
apenas escarlate

PS: Todos os dias são seus, mas este marca o presente que foi você existir para nós.
SA

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Amores e Livros

Amores são como livros. Uns maiores, outros menores; alguns profundos, outros mais superficiais. Há aqueles que lemos quando pequenos logo que aprendemos a ler e que nos acompanham por toda a vida; há os que lemos há muito tempo e reencontramos inusitadamente, acompanhados de uma avalanche de lembranças. Algumas pessoas encontram livros perfeitos, livros feitos para elas. Em minha estante cada livro possui seu lugar definido, especial… Às vezes me pego em frente a eles, percorrendo com os olhos seus títulos, lembrando suas histórias, analisando o que cada um me ensinou. me trouxe de novo. Houve os que me obriguei a ler, apenas para não me sentir derrotada; houve os que devorei; os de páginas perfumadas; os simples, porém profundos; há os de cabeceira; os engraçados; os que me fizeram chorar; os retóricos; os demagógicos; os ideológicos; houve os que li ao mesmo tempo; os que duraram apenas uma madrugada; e houve as bíblias. Há pessoas que nunca aprenderam a ler, não conheceram outros mundos, outras formas de pensar, não ousaram. Conheço algumas que afirmam não precisar, dizem viver bem, dizem que bastam as orelhas de um livro ou outro; pode ser que elas sejam felizes a maneira delas. Eu não conseguiria viver assim. Quero ler livros em todos os idiomas, com páginas de todas as cores, de vários autores, tempos, contextos; quero fotos coloridas e em preto e branco, livros de artes, música, política e cinema; quero livros que me façam imaginar as coisas mais inimagináveis e confrontar meus próprios eus, muitas vezes, infinitas vezes. Quero livros, todos os livros do mundo!
Francine Hellmann
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