a poesia do mar fica presa um verão inteiro, e é quando ela queria ser mais bonita
sempre que o outono se aproxima ela toma coragem para banhar-se nos últimos raios de sol
e quem sabe sobreviver a mais um inverno doloroso
o que ela em todas estações esquece é que só na primavera
quando as flores aparecem que sua beleza singela cresce
a poesia do mar se confunde com o perfume das flores
a poesia do mar não percebe que tem aromas e cores
porque o verão tudo aquece e por vezes sufoca
no inverno o frio confunde a dor e pode congelar o amor
o outono é dos ventos que arrancam folhas e levam escolhas
a primavera ofusca com suas cores, odores e sabores
mas é ali ao florescer que simplesmente a poesia ganha sons e alegria
ninguém celebra um verão, inverno ou outono
é a cada primavera que ganhamos mais anos
quando a poesia do mar perceber sua beleza
vai voar de flor em flor como as borboletas
eu assim vou detalhar cada cor aqui no contorno de minhas letras
SA
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Pensando alto
o coração não tem as artimanhas do pensar,
para não perder o encanto e doçuraque nos mantém a salvo durante uma vida... ou não
SA
mais perto
de repente caminhei até o arco-íris
suas cores vibrantes em meus pensamentos
mas opacas devido a distância
foram tomando um brilho vermelho
e a cada passo eu ficava mais encantada
não fui até o fim
pois de longe vi o pote
repleto do que mais importa neste mundo
SENTIMENTOS
vale mais que ouro
nem é preciso chegar muito perto
para sentir, mas eu vou até lá
há coisas que só tocando
e quem vira ouro somos nós
esse foi um caminho
que segui sem mapas
guiada pelo coração
então é só fechar os olhos
e seguir, ainda que por atalhos,
sempre lá hei de chegar
SA
terça-feira, 17 de abril de 2012
Real(ce)
silenciar-ei-me
depois de ser feliz aos bocadinhos
de mansinho
vais embora
fica muito do que é seu aqui
no meu silêncio
e qualquer coisa muda
sempre alguma coisa muda
e tantas outras voltam
e compensam a falta
que você faz
que você faz
silenci-ando
a falta que eu faço em mim mesma
porque qualquer coisa foi
sempre alguma coisa minha vai contigo
alguma coisa mais que venha
ficar-ei entregue a espera
suspensa, quase congelada
manter-ei-me apenas essência
neste silenci-ar
só meu sem ti,
e neste nós que nunca foi nó
neste dois que é laço
que sobrevive ao espaço
distante ou perto
apenas incerto
SA
sexta-feira, 30 de março de 2012
E(terna)namorada!
eis que ouço a mais doce palavra
numa melodia esperada
como declaração sussurrada
nosso reencontro já tem hora marcada
eu já nem peço mais nada
apenas me contento em ser sua última amada
eis que minha boca cala
meu coração fala
cada poro exala
a delicia de ser sua eterna namorada
SA
sábado, 17 de março de 2012
quinta-feira, 15 de março de 2012
Solidão

quando fui capaz de juntar as letras
vi minha alma sufocada numa angústia
letras gritantes, pesada sintonia
seu nome já o sabia
mas encostada assim na pele
tão rente, tão singular, tão minha
tem um som ensurdecedor, o cheiro acre,
e o sabor, bem o sabor é demasiado único
só quem sente para determinar o paladar
Ela que tem sido a companheira noturna
constante(mente), não a quero como amante
de uma crueldade (en)torpe(cente)
nunca me pareceu necessária
agora que divido com Ela todo ar que respiro
tenho que (a)brigar meus pensamentos
num canto qualquer povoado da lembrança
dos tempos em que Ela me era desconhecida
Ela é um tanto atrevida, se mostra no vazio,
faz-se necessária, consome-nos os sentidos
muda-nos os instintos,
mas não é o tipo de sentimento eterno
o prazer que nos proporciona é ludibriado
pode haver quem fique viciado
eu apenas lhe tiro os melhores traços
e aqui os (re)faço
a espera que Ela se desfaça no mais esperado abraço!
SA
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