segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Vestida de Brisa


Foi-se para mais uma tarde feliz.
Com um desconhecido muito conhecido.
Vestiu-se de si mesma.
Despiu-se daquela que a ocupa dias a fio.
Vi-a passar. Vi-a desaparecer.
Caminhou ligeiramente, até meus olhos não a verem.
Foi-se velozmente. Nem meus pensamentos a acompanharam.
Por umas horas será da maneira que se vê realizada.
Por umas horas será intensamente completa. E distante.
Será de uma maneira como deseja ser o tempo todo.
De uma maneira que eu temo.
Temo que ela se perca de sim mesma.
E não seja nem esta que me choca, nem aquela que me alegra.
Porque no fundo ela é mais que qualquer uma dessas que se mostra.
No fundo dela tem coisas belas. Tudo muito bem escondido.
Como surpresa guardada em caixinha colorida.
Mais parece uma menina perdida nas ilusões da vida.
Envolta nas preocupações e na eterna procura de respostas.
Foi-se em busca da paixão. Com medo de acabar na solidão.
Antes de acabar o dia vi-a voltar. Talvez mais feliz, e ainda sozinha.
Sara Almeida

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Aroma do amar

Esta noite acordei perdida, como um barco em alto mar.
Sozinha e contraída na minha vida de sentir. É assim que fico sem você aqui.
Sim existem duas vidas, a vida que levo contigo e a outra de sentir quando não esta comigo.
O barco voltará ao porto e você para o meu corpo. Mesmo assim todo velejar solitário, e por vezes necessário, trás dor.
Se consigo viver assim sempre? Consigo, mas é sobreviver despedaçada, opaca e trêmula.
Como o barco no balanço do mar. E num mar bravo e ameaçador.
Nasci sem ti, mas foi nos seus abraços que me encontrei completa.
Porque de tudo que vivi, foi só a ti que absorvi, da minha pessoa resta a mistura daquela que você descobriu com esta que evoluiu.
Seria menos dolorido navegar solitária, sentir a maresia, se não conhecesse seu cheiro.
O tempo que nos separa é pouco. Mas insisto em decorar seu rosto, olho a foto na cabeceira. Você sorri para mim, como se eu fosse a mais bela.
Com você posso ser, posso ter, posso querer, posso simplesmente desaparecer.
Você sempre me busca, me encontra e me acompanha na minha ciranda.
Eu consigo sentir você, sinto que quanto mais o mar balança o barco mais perto estou dos seus braços.
Quando o mar acalmar, o barco ancorar, você vem me amar.
Vou inalar todo o seu cheiro, cercar todo seu corpo, vou te prender de novo até a próximo navegar.
Por que amar é isso, inspirar e expirar o outro, de dentro para fora: calmamente, livremente, docemente...
De outro modo não é amor.
Sara Almeida

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Experiência

Já fiz cócegas à minha irmã só para que deixasse de chorar.
Já me queimei a brincar com uma vela.
Já fiz um balão com pastilhas que me colou a face toda.
Já falei com o espelho.
Já fingi ser bruxo.
Já quis ser astronauta, violinista, mago, caçador e trapezista.
Já me escondi atrás da cortina e deixei esquecidos os pés de fora.
Já estive sob o chuveiro até fazer chichi.
Já roubei um beijo, confundi os sentimentos, tomei um caminho errado e ainda sigo caminhando pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela onde se cozinhou o creme.
Já me cortei ao barbear-me muito apressado e chorei ao escutar determinada música em público.
Já tentei esquecer algumas pessoas e descobri que são as mais difíceis de esquecer.
Já subi escondido até o terraço para agarrar estrelas.
Já subi a uma árvore para roubar fruta.
Já caí por uma escada.
Já fiz juramentos eternos, escrevi no muro da escola e chorei sozinho no quarto por algo que me aconteceu.
Já fugi da minha casa para sempre e voltei no instante seguinte.
Já corri para não deixar alguém chorar.
Já fiquei só no meio de mil pessoas sentindo falta de uma única.
Já vi o pôr-do-sol mudar do rosado ao alaranjado.
Já mergulhei na piscina e não quis sair mais.
Já tomei Whisky até sentir meus lábios dormentes.
Já olhei a cidade de cima e nem mesmo assim encontrei o meu lugar.
Já senti medo da escuridão.
Já tremi de nervos.
Já quase morri de amor e renasci de novo para ver o sorriso de alguém especial.
Já acordei no meio da noite e senti medo de me levantar.
Já apostei a correr descalço pela da rua, gritei de felicidade, roubei rosas num enorme jardim.
Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas era um "para sempre" pela metade.
Já me deitei na relva até de madrugada e vi o sol substituir a lua.
Já chorei por ver amigos partir e depois descobri que chegaram outros novos e que na vida é um ir e vir permanente.
Foram tantas as coisas que eu fiz, tantos os momentos fotografados pela lente da emoção e guardados neste baú chamado coração.
Agora, um questionário pergunta-me, grita-me desde o papel:
" - Qual é a sua experiência?"
Essa pergunta fez um eco no meu cérebro.
"Experiência...Experiência..."
Será que cultivar sorrisos é experiência?
Agora agradar-me-ia perguntar a quem redigiu o questionário: "
Experiência?! Quem a tem, se a cada momento tudo se renova???"

PS: Recebi o texto sem identificação do autor, não poderia deixar de postar. Seja quem for o autor tem uma linda experiência de vida.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Completamente Inacabada

Impar
Inquieta
Imprecisa
Incógnita
Imprópria
Impaciente
Incorrigível
Inflamável
Imprevisível
Impertinente
Inconstante
Intempestiva
Incansável
Impossível
Intensa
Implicante
Impulsiva
Incisiva
Infrene
Indisciplinada
Insubstituível
Instintiva...

I M P E R F E I T A!!!

Sei que sou imperfeita...Mas é minha imperfeição que dá o devido sabor a quem me ama!!!

Alegre Despertar

A diferença entre uns e outros está mesmo na cor.
Não na cor da pele e sim na cor do desejar.
No acordar, é a-cor-dar, não no levantar.
Acordar todos os dias para pincelar, cada milésimo de segundo vivido.
Recebi um texto de um grande amigo falando que a-cor-dar ,
é puro e simplesmente colocar o coração em tudo que se faz.
E ainda fazer mais, descobrir que despertar é como desapertar,
desprender e relaxar, seguir leve e solto.
Então só colocar o coração não basta, e desapertar também não, se este for sem cor.
Tem que ser um coração com cor e dispor.
Cada um de nós tem um caminho a seguir, a diferença é que uns seguem um caminho escolhido e desejado.
Outros seguem um caminho pré-determinado e sem nenhuma força de vontade.
Não significa que aqueles felizes no caminho escolhido não possam mudar, é óbvio que podem. E os que não estão contentes não só podem como devem.
Se vivemos uma só vez, claro que há quem pense que não, enquanto não temos prova disso devemos viver intensamente.
Viver intensamente a dar cor, e desapertar dos problemas não significa não tê-los ou fugir deles. Temos mais é que ser intensos e realistas, chorar se o choro brotar, rir se o riso afrouxar.
Ser feliz ou ser triste não existe. Existe o estar feliz ou estar triste.
Os mais importantes nutrientes de uma planta são captados pela raiz. A raiz é que faz com que a planta amadureça, claro que os fatores externos acrescentam, mas sem a raiz não acontece desenvolvimento.
Nós todos temos raízes, muitas vezes não absorvemos os nutrientes que elas nos trazem, desperdiçamos, por que não sabemos despertar e acordar. O sol brilha nos chamando quase todos os dias. E quando o nevoeiro ou a chuva vem, não quer dizer que o sol foi embora, é aí que estamos aprendendo e quando sol vir poderemos crescer com mais sabedoria “nutriente”.
Acordar para as pequenas coisas e despertar para grandes pessoas aí está o segredo.
Não temos que ignorar as coisas ruins, ou as pessoas não boas, apenas devemos superar e ultrapassar. Acordando e Despertando a cada dia, num sorriso, numa lágrima, num desabafo, num abraço. Nos superar, e fazer tudo aquilo que queremos e que nos faça bem, e que até agora tivemos medo ou vergonha.
Porque daqui a pouco pode não existir, daqui um tempo podemos não conseguir.
Seja sozinho ou acompanhado tem caminhos para todos os lados.
A realidade está acesa todos os dias bem cedo e caminha seja no claro ou no escuro.
Vamos com ela atear o lume, porque depois pode ser tarde para despertar, e hoje não é tarde para recomeçar.
Sara Almeida

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Para lá e para cá

Dois países Uma língua
Dois falar Um sentir
Uma palavra Dois sentidos
Um sentido Dois agir
Eu balbucio sua fala
Tu apontas minhas falhas
Eu escrevo uma linha
Em seguida tu alinhas
Tu agrafas essa folha
Eu grampeio numa boa
A rapariga aqui trás flores
Noutro lado sente amores
Eu entendo sua língua
Tu percebes minha rima
Numa amizade tão querida
Tu és linda bailarina
Por cá apaixona-te
Todos os dias
Lá está apaixonada
O tempo todo
Num adorável mundo novo
As palavras se misturam
A língua que é só uma
Vira duas melodias
Uma ríspida e seca
Outra doce e arteira
Com todas as diferenças
Vence a convivência
Num mundo de tantas crenças
Mistura se até a descrença
As raças se concentram
E as línguas apimentam
Nossa cultura vira uma
Nossa alegria divide em duas
Aqui vem primeiro a Lua
Lá o sol ainda aquece a rua
Quero voltar para minha casa
E tu queres fugir da sua
Quando a tristeza aqui chegar
Saiba que lá também é seu lugar
Podemos sempre recomeçar
Seja a cantar ou dançar
Mesmo com um mar a separar
Eu serei sempre seu par
Vamos sorrir a bailar
Podem não saber por cá
Mas é certeza por lá
Que Bailarina não pode chorar.
Sara Almeida

domingo, 1 de novembro de 2009

Singularidades

Não sofremos tanto por esperar muito de uma pessoa e ela não corresponder a nossa expectativa. Sofremos muito mais porque não poderemos voltar a esperar algo dessa pessoa do que pelo fato dela não nos ter satisfeito.
Sofremos por nós, por termos errado em relação a algo.
Penso que as pessoas são todas diferentes e únicas, mas temos todos sentimentos claros e objetivos, não são os sentimentos que atrapalham as coisas e sim a quantidade, intensidade, e forma de usá-los.
Não concordo que todos tenham valores e conceitos guardados, há por aí montes de pessoas sem nada para oferecer, que nem sabem o que significa isso.
E dizem que a verdade é relativa, e não é, não existe meio-termo entre verdades e mentiras, ou é ou não.
Em certas questões não acredito em dúvidas, todos nós sabemos bem o que é certo ou errado, se não decidimos é por medo ou covardia, por desejo próprio e nada mais.
Como seres irracionais e imperfeitos podemos até inventar os nossos porquês, porém no fundo de nós está a verdadeira resposta. Claro que as ações dos outros nos impele a tomar atitudes, ainda assim existe a boa e a má atitude em todos os casos.
Todas as minhas ações na vida, seja por que razão julgo ter sido, são únicas e exclusivas opções minhas, mesmo que outros tenham interferido de alguma maneira eu tive que permitir, não foi o universo, nem força superior que fez as coisas como são.
Li que se alguém te trair uma vez pode a culpa se atribuir a ele, mas se alguém te trair duas vezes a culpa é tua, e é mesmo. Nenhum de nós damos tudo o que podemos dar, damos o que achamos suficiente, mas tem sempre mais dentro de nós, até para nós mesmos. Se todos oferecessem o que tem para dar, os bons seriam melhores, mas os maus seriam piores.
O que venho a concluir que poderia ser ao contrário: se os maus dessem menos maldades poderiam ser melhores e se os bons dessem menos bondade viriam a ser menos bons? ! Cada qual tem suas expectativas e desejos na vida, o que muda é que uns usam o que tem de bom em si para alcançá-las e outros desviam-se ou derrubam quem está à frente ou ao lado até conseguir.
Não me parece errado as pessoas sonharem em terem coisas materiais, e também não é errado as pessoas dizerem não a quem lhes pedem ajuda, todos temos direitos a ter coisas e não dividi-las, porque na verdade todos deveriam ter oportunidades sem que precisassem de ninguém a não ser os seus próprios esforços.
O erro é tentarem ter as coisas ludibriando e mentindo aos outros.
Os piores não são aquele que declaram-se nossos inimigos, são piores aqueles fantasiam-se de nossos amigos.
Bom seria nos assumirmos logo como somos, o que não gostamos, o que não queremos, e é claro que não é fácil sermos assim transparentes.
Somos seres indescritíveis, por bons que sejamos existe uma parte obscura que nos permite errar, erramos demais.
Viver pode ser perigoso. E o pior perigo de todos pode estar em nós mesmos. Dos outros fugimos, os outros ignoramos, com os outros brigamos, e com nós mesmos o que fazer, quando e como?
Por isso insisto que ninguém por mais entendimento ou evolução que tenha consegue passar a vida em paz consigo mesmo. Com o passar dos anos venho percebendo que com a idade e conhecimento podemos nos tornar ainda mais infelizes e sofredores, é só olhar em volta que perceberá que quanto menos inteligente e curiosa uma pessoa é, menos ela fica se questionando sobre as coisas.
E venho percebendo também que a tristeza é tão importante quanto a alegria para formação do caráter.
Para quem não conhece os números pouco lhes importam as matemáticas
Para quem nunca leu bastam as vogais, mas para quem domina o alfabeto as palavras não são suficientes, precisamos de versos, estrofes, sonetos, e infinidades de perguntas e respostas, isso é perguntas sem respostas.
E na vida é assim, quanto mais descobrirmos mais queremos saber, em contrapartida percebe-se que talvez seja melhor não sabermos, é uma confusão de ideias e sentimentos que não tem volta.
Parece mesmo verdade que as pessoas são perfeitas e interessantes quando não as conhecemos. Mas é claro que o que torna essa vida ainda suportável é o fato de uma pequena quantidade de pessoas ao nosso redor ainda continuam perfeitas e interessantes, mesmo quando descobrimos seus erros e defeitos. E se construir sonhos grandes em cima de pessoas pequenas parecer um erro, não há com o que nos preocuparmos, pois o melhor é que os sonhos podem mudar de lugar, de objetivos, de tamanho, a qualquer hora basta usarem aquilo que realmente é nosso: o poder de decisão.
Afinal as decisões só dependem de nós, pois não existe destino existem atitudes.
Sara Almeida
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